Eneagrama: um mapa do autoconhecimento

Imagine se você tivesse um manual de como você funciona

A galera da geração Y normalmente não usa manual. Saem clicando em tudo até descobrir como funciona. Quando um assunto é mais complexo não relutam em recorrer a um manual. Pode ser em forma de um fórum pela web ou um vídeo no YouTube explicando os detalhes de como fazer aquilo funcionar.

Quando nascemos e tomamos o primeiro tapa no bumbum para saber se o elemento está vivo cairmos no choro e usarmos nossas vias aéreas (existem outras técnicas hoje em dia, né?), não somos entregues às nossas mães com manual de fábrica. Infelizmente não viemos à Via Láctea com o número da nossa essência do Eneagrama estampado na testa. Facilitaria muito as coisas!

Primeiros anos, primeiros transtornos! Quando nos damos por conscientes da vida, os pais já clicaram em tudo quanto é “botão”, clicaram também em um tanto que não deveriam e nos passam o bastão de um corpo e uma mente que, além de vir com bugs de fábrica, está cheia de erros de programação!

A mente enquanto software

Já que estou fazendo uma analogia com computadores, onde o nosso corpo seria o hardware (a máquina física em si) e nossa mente representando os softwares (sistema operacional e os programas instalados), não dá outra: ninguém chega à vida adulta sem dar pelo menos uma tela azul no caminho. Mas como fazer para operar bem esse sistema operacional que temos?

muita tela azul seria evitada com o eneagrama
Essa tela já foi comum, viu?

Ainda que não conheça muito sobre computadores, talvez auto instalar uma crença limitante – mesmo sem saber que o que você estaria fazendo na ocasião – poderia ser seu próximo passo no que diz respeito à programação da mente. Você pode pensar que, para entender esse aplicativo chamado eneagrama, você teria que dominar algoritmos complexos, entender linguagens específicas ou várias outras habilidades dignas de Mark Zuckerberg. Mas não é bem assim.

Atente-se para esse fato: para ser um usuário de computadores você não precisou saber programação, precisou? Ainda sim, para saber o que você sabe hoje sobre computadores, você precisou treinar um pouco. Independentemente do nível de suas habilidades computacionais, uma coisa podemos concluir: quanto mais treino, melhor é sua performance, certo?

Então será que comprar um bom software e treinar para usá-lo seria uma solução para vários problemas de relacionamentos e profissionais? Eu te respondo com um enorme contentamento: sim, pode!

Um excelente software para seu cérebro!

O eneagrama é uma sensacional ferramenta para entendermos esses bugs e a boa notícia é que nem só de bugs vive o ser humano. Temos várias virtudes e cada um tem, claro, o seu perfil e personalidade dominante.

Você pode até continuar com a crença que te instalaram desde criança em seu cérebro (ou pelo menos tentaram) que de acordo com a posição do céu do dia do seu nascimento, o seu comportamento já estaria definido pelos astros. Não quero dizer que isso não exista ou não seja verdade, não é essa a discussão. Mas não faria muito mais sentido se, ao invés de receber a casa de sagitário, de câncer ou de serpentário (constelação que foi descoberta em 2011 por cientistas e que colocou muita crença em jogo), seu comportamento fosse escolhido por você mesmo de acordo com o que você sentiu e os caminhos que você decidiu tomar na formação de sua personalidade?

Às vezes alguém pode escolher enfrentar com muita energia e bater de frente com outra pessoa em uma determinada situação de incômodo. Se ela obtiver êxito, não será surpreendente que continue a repetir esse comportamento. Outra pessoa poderia decidir simplesmente aceitar e ajudar a outra pessoa na mesma situação anterior, e assim, perceber que recebeu mais atenção. Alguns se afastam, outros aprendem a negociar e alguns simplesmente não estão nem aí!

Onde surgiu o eneagrama?

O conhecimento do povo Sufi, resgatado ao mundo moderno no começo do século passado pelo filósofo armênio George Ivanocich Gurdjieff,  trouxe o Eneagrama, um diagrama de 9 pontas que organiza em 3 centros as 9 personalidades principais! Cada uma dessas personalidades são ramificadas no primeiro momento em mais 3, ou seja, temos um total de 27. O grande lance é que se formos dividindo chegaremos hoje em 7,3 bilhões de pessoas. Cada personalidade é única! Mas sim… temos padrões que podem ser agrupados!

Naturalmente fazemos isso de uma certa forma. Sempre pensamos que há aquele camarada que dizemos – Aquele ali é “paz e amor”! – Também há os que chamamos de nervosinhos, bons de serviço, etc. Mas o melhor da história é entender, identificar o nosso padrão e usar a nosso favor. Vamos aos tipos!

TIPO 1 – O Perfeccionista

As pessoas que adotaram o Tipo 1 são centradas na ação, têm um senso prático exigente, que dá prioridade às tarefas a serem realizadas. O vício emocional é a Raiva, que, por ser inconsciente, é justificada com a atitude esforçada e auto-imagem virtuosa – Eu estou fazendo a minha parte. O nome Perfeccionista vem do alto nível de exigência, que as faz serem conhecidas como “cri-cris”. “Se isso tem que ser feito, não interessa se você gosta ou não, tem que ser feito.”

TIPO 2 – O Ajudador

As pessoas que adotaram o Tipo 2 são centradas na emoção, têm uma percepção aguda dos outros, tornando-se conquistadoras, que sabem como conseguir o que querem das pessoas. O vício emocional é o Orgulho, que, por ser inconsciente, é justificado com a atitude solícita e a auto-imagem bem-intencionada. Esta emoção sustenta um comportamento baseado na sensação de auto-suficiência e capacidade. Eu posso”. O nome Ajudador se adapta vem da alta sensação de capacidade e a atitude comum é a de “Eu posso, eu sei, eu faço”. Hábeis nas relações, costumam ser conhecidos como pessoas queridas.

TIPO 3 – O Realizador

As pessoas que adotaram o Tipo 3 são centradas na ação ou no planejamento, visando reconhecimento.Têm uma visão mercantilista, que os guia na sua perseguição pelo sucesso. O vício emocional é a Vaidade, que, por ser inconsciente, é justificada com a atitude progressista e auto-imagem eficiente. O nome Realizador vem do seu apego à imagem e ao valor que ela traduz; o sucesso é um meio de conquistar valor próprio.

TIPO 4 – O Romântico

As pessoas que adotaram o Tipo 4 são pessoas centradas na emoção, são sensíveis ao ambiente e emocionalmente instáveis. A sensível percepção emocional faz delas pessoas que vêem o que a maioria não vê. O vício emocional é a Inveja, que, por ser inconsciente, é justificada com a atitude insatisfeita e auto-imagem de singularidade. Das 9 emoções descritas no eneagrama, a inveja é a mais incompreendida, agravando a dificuldade dos Românticos em se identificarem no eneagrama. O que facilmente reconhecem é a insatisfação.

TIPO 5 – O Observador

As pessoas que adotaram o Tipo 5 são centradas na mente, têm uma curiosidade pelo entendimento, tornando-se planejadores extremamente racionais. O vício emocional é a Avareza, que, por ser inconsciente, é justificada com a atitude pouco expressiva e auto-imagem lógica e prudente. O nome Observador vem da atitude de não-envolvimento, como se preferisse estar em segundo plano, de onde pode ver melhor sem perder seu senso crítico. Dos Tipos do Eneagrama são os “mais na deles”; preferem estar consigo mesmos, envolvidos em atividades que só dizem respeito a si próprios.

TIPO 6 – O Patrulheiro

As pessoas que adotaram o Tipo 6 são centradas na ação ou na emoção, visando ao controle. São atentas e desconfiadas, embora não necessariamente expressem isso. Preferem se preparar a atirar-se de improviso. O vício emocional é o Medo, que, por ser inconsciente, é justificado com a auto-imagem de precavido e realista. O nome Patrulheiro vem da atitude desconfiada e alerta, do tipo Enquanto você está indo, eu já fui e estou voltando”. No subtipo sexual encontramos a forma contrafóbica do medo, que é reconhecida com atitudes opostas ao medo, do tipo “O que você está olhando ai? Vai encarar?”

TIPO 7 – O Entusiasta

As pessoas que adotaram o Tipo 7 são centradas na mente; têm uma agilidade mental para lidar com várias coisas ao mesmo tempo, dando prioridade ao prazer. O vício emocional é a Gula, que, por ser inconsciente, é justificada com a atitude entusiasta e auto-imagem de hábil improvisador. “Faço do limão uma limonada”. O nome Entusiasta vem da grande quantidade de idéias e planos, beirando o impossível.

TIPO 8 – O Desafiador

As pessoas que adotaram o Tipo 8 são centradas na ação, têm uma facilidade em mandar e liderar, dando prioridade à realização. O vício emocional é a Luxúria, que, por ser inconsciente, é justificada com a atitude dominadora e auto-imagem realizadora. Tudo ao seu redor tem de ser intenso e desafiador, numa atitude de “Dar um boi para não entrar e uma boiada para não sair”. O nome Desafiador vem da facilidade com que se posicionam a respeito do que querem, expressando-se de forma direta e objetiva, intimidando com sua aparente segurança.

TIPO 9 – O Pacificador

As pessoas que adotaram o Tipo 9 são centradas na emoção ou na mente, têm uma atitude mediadora, dando prioridade ao bem comum. O vício emocional é a Indolência, que, por ser inconsciente, é justificada com a atitude tranquila e auto-imagem conciliadora, “Se cada um ceder um pouco, todos ficarão bem“. O nome Pacificador vem da busca de preservar o status, evitando conflito em prol da paz e da tranqüilidade.

Show, né? Eu poderia escrever um testamento nesse post que eu não cobriria nem sequer a superfície dessa ferramenta sensacional! Mas acho que já deu pra dar uma sacada! Uma coisa eu não sei se você percebeu: não existe um tipo melhor do que o outro! Deixe aí nos comentários qual você acha que é o seu “eneatipo” e faz o seguinte…

… vem comigo que no caminho eu te explico!

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