Ambiente – 1º Nível Neurológico

Os problemas significativos que enfrentamos não podem ser resolvidos no mesmo nível de pensamento em que estávamos quando os criamos.

Algumas pessoas da Lista VIP me solicitou uma rápida passagem pelos níveis neurológicos. Eu particularmente achei interessantíssimo a oportunidade, pois irá ajudar em muitos assuntos que abordaremos no futuro, por isso decidi ir um pouco além! Irei falar um pouco do primeiro nível neurológico, onde tudo começa: o ambiente.

Atenção! Fica aqui um alerta de que, se você é daquele tipo de pessoa convicto de que sua percepção da vida é a mais correta dentre a maioria das pessoas ao seu redor, você corre o risco de se tornar alguém mais inteligente ao final desse artigo, pois suas projeções irão melhorar consideravelmente ao perceber que seu raciocínio e percepção é extremamente dependente de variáveis que mesmo nenhum computador quântico pode ter, as experiências únicas de cada um. Claro! Irá depender também de sua humildade.

Albert Einstein, autor  da frase que abre esse texto, sábio e reconhecido, deixou o planeta Terra aos 76 anos após seus brilhantes anos escolares e acadêmicos – ao contrário do que dizem os boatos, Einstein nunca foi mal aluno. Entendeu e explicou que os níveis de um problema exercem influência sobre outros níveis, onde a busca de sua solução no nível errado é um erro.

Resumindo, é impossível resolver um problema de identidade simplesmente ressignificando o comportamento. Para mudar o pau que nasce torto, não basta mudar seu comportamento! O dono da crença que deu origem ao ditado que diz que o pau continuará torto percebeu isso muito bem. Mudar a crença seria um bom começo para resolver um problema de identidade, mas ainda sim não seria suficiente para resolvê-lo, pois seu nível ainda  não é a identidade! O que deveria ser feito então?

O Ambiente do pau que nasceu torto

Em Jericoacoara – CE tive a oportunidade de conhecer uma linda paisagem natural construída pelo vento chamada Árvore da Preguiça. É uma árvore que nasceu completamente torta, onde parte de suas raízes ficam para fora do solo, o que não a impede de ter vida ainda que sua copa esteja em contato com o chão, crê?! 😀ambiente_arvore_da_preguiça

Esse exemplo ilustra bem a influência que o ambiente pode exercer sobre a vida, mesmo não determinando o futuro do curso da vida. O tronco da árvore permitiu que isso fosse possível, se não tivesse crescido forte o suficiente para aguentar, além de ser flexível o bastante para não quebrar com a pressão eólica, a adaptação da árvore em seu ambiente foi a responsável por mantê-la viva. E conosco não é diferente, sofremos influência do ambiente o tempo todo. Isso nos muda e oferece a oportunidade de construirmos quem somos, seja conscientemente ou inconscientemente.

Os Níveis Neurológicos

Do primeiro ao último nível neurológico em sequência são: ambiente, comportamento, habilidades, crenças e valores, identidade, afiliação e espiritual (não tem nada a ver com religião, ok?). É importante entender duas coisas muito significativas quando se fala de níveis neurológicos.

A primeira é entender que influência não é determinação, ou seja, alguém exercer influência sobre nós não determina qual comportamento iremos adotar. Por exemplo, um garoto que cresce com amigos que usam drogas terá naturalmente grandes chances de experimentar tais entorpecentes, mas isso não é garantia de que ele irá realmente fazer uso. Isso dependerá de inúmeras variáveis.

O segundo ponto que deve ficar claro é que um problema em um nível inferior não necessariamente irá definir uma mudança de comportamento em um nível superior, nem o contrário, mas uma mudança em um nível superior terá uma influência muito maior nos níveis abaixo do que o contrário. Para exemplificar: o fato de alguém chegar atrasado a uma reunião, não necessariamente possui em sua identidade uma pessoa que admite para si mesma que sempre se atrasa, mas a recíproca tende a ser verdadeira.

niveis_neurologicos

Agora que já entendemos alguns conceitos, podemos perceber que os ambientes não nos definem, mas exercem uma influência forte em toda nossa formação, afinal as culturas são diferentes e elas têm grande responsabilidade na maneira que percebemos o mundo e consequentemente, nos conceitos que estabelecemos ao ligarmos os pontos de nossa compreensão acerca desse mundo.

Pronto para viajar?

Então nesse ponto segue minha dica de hoje, caso você tenha dificuldades de entender a realidade do outro, perceba com o exercício a seguir que seus medos, suas angústias e seus amores seriam completamente diferente caso tivesse nascido um Dinka. Segundo a wikipedia os Dinkas são um grupo étnico do Sudão do Sul. São majoritariamente um povo agropastoril, praticando o pastoreio de gado em campos ribeirinhos durante a estação seca e plantam milheto e outras variedades de grãos em acampamentos fixos, durante a estação das chuvas. Estima-se que a população total esteja por volta de dois milhões de pessoas, constituindo cerca de 20% da população do país. São o maior grupo étnico do Sudão do Sul.

Então, vamos fazer uma viagem agora! Podemos ir? Você conhecerá sua versão Dinka. Ao acabar de ler esse parágrafo, te convido a dar o play na música a seguir e colocar as imagens em tela cheia e deixarem rolarem sozinhas. Antes você irá fechar os olhos, respirar várias vezes bem fundo e se transportar para o sul do Sudão. Talvez você tenha a vontade de passar as imagens mais depressa, mas respire fundo. Dinkas não têm a pressa provocada pela enxurrada de informações que recebemos todos os dias da rede. Acalme-se. Dinkas não têm a necessidade de parar o que se está fazendo para conferir as notificações do Facebook, você é um DINKA!

Apaixone-se! Como seriam suas aventuras? Seus desejos e sonhos? Pense como seriam seus comportamentos… Imagine quais habilidades você desenvolveria… Como seria sua manifestação de amor? SINTA! Sinta o toque da pele Dinka. Quando sentir vontade de fechar a galeria de fotos, escute mais uma um pouco as músicas observando o seu ambiente de volta, sua versão Dinka voltou para o ambiente em que se encontra nesse momento, mas você continua sendo um Dinka! Talvez você ache estranho todos esses aparatos que você usa, suas roupas, seus pertences. Pare. Respire e dê o play!

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Os ensaios de Casper Hedberg e das fotógrafas Carol Beckwith e Angela Fisher são incríveis, não é mesmo? Você viu todas as fotos? Escutou todos os áudios? Acredito que nem todos vão ter o espírito necessário para ter a paciência de apreciar as imagens e os sons estranhos. Sons que você não foi formatado e programado para ouvir, para se sentir confortável com eles. O que você experimentou foi uma versão da pessoa que você é se sentindo em um outro ambiente. Isso já muda um pouco (ou bastante!) sua perspectiva, não é verdade? Você agora tem ainda mais capacidade de responder: sua inteligência sofre ou não sofre influência do ambiente? Suas decisões… percepções…

Agora eu te lanço algumas perguntas que talvez você não esteja se fazendo frequentemente:

– Quais tipos de ambiente você anda frequentando?
– Como anda seu ambiente familiar e profissional?
– Os ambientes que você frequenta têm te influenciado?

… e finalmente  – Como você os influencia?

Você quer aprender mais sobre níveis neurológicos? Você não faz ideia do que nossos treinamentos são capazes de fazer com sua percepção! Confira nossa agenda de eventos!

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Um forte abraço!Agenda

Assinatura


¹ Calaprice, Alice; Trevor Lipscombe (2005). Albert Einstein: A Biography(Santa Bárbara, Califórnia: Greenwood Publishing Group). ISBN 0-313-33080-8.
² Stachel, John; Klein, Martin J.; Kox, A. J.; Janssen, Michel; Schulmann, R.; Buchwald, Diana Komos. (21 de julho de 2008). “The Collected Papers of Albert Einstein“. Einstein’s Writings 1–10. Princeton: Princeton University Press.