Somos vendedores, quer você queira ou não!

Você vende bem ou mal?

Todos os dias nós vendemos. Prática que é considerada por muitos algo feito somente por pessoas de ética duvidosa, a venda é algo mais corriqueiro e importante do que possa parecer, até mesmo para quem se considera de esquerda e contra o livre-mercado.

Quem parte do princípio negativo da palavra está deixando de notar que vendemos até para nós mesmos constantemente. Se você estiver duvidando disso, nesse exato momento você está vendendo argumentos para si, buscando provar que esse texto é ruim, sem fundamentos e um absurdo. Além de estar pensando que talvez seja melhor fechar a janela desse site ridículo!

Mas se você continuou a ler, eu posso concluir duas coisas: você entende a importância dos argumentos de vendas e/ou você é uma pessoa com a mente muito aberta que gosta de ouvir, mesmo quando as opiniões são contrárias, somente para depois formar uma opinião mais assertiva. Em ambos os casos, muito obrigado por continuar!

Conceito de vendas

Para tentar ilustrar essa ideia, vamos passear rapidamente pelo conceito de venda. É normal ficarmos presos ao conceito estrito, que é o que aparece primeiro nas pesquisas do oráculo Google. Aquele conceito onde você dá algo em troca de dinheiro.

Porém, esse conceito não consegue expressar a profundidade que é o ato de vender. Se expandirmos essa definição de troca e dermos um longo salto na história da riqueza do mundo (nome de um excelente livro de Leo Huberman – indico), chegaremos à ideia mais primária de trocas.

Em essência, a venda acontece simplesmente quando uma necessidade por um produto ou serviço está em alguém disposto a pagar seu preço. Esse preço pode ser pago em dinheiro, em outro produto (escambo ou permuta) ou ainda pelo reconhecimento de que aquilo foi valioso!

– Não entendi, Rogério Braga. Explica?
– Explico.

As ideias movem o mundo!

Vamos considerar uma necessidade de algo que seja intangível, como a solução de um conflito de relacionamento ou uma coceira nas costas. Pagamos muitas vezes simplesmente com beijos, abraços e uma sincera gratidão.

É assim que o mundo move e se modifica através da troca. O dinheiro só começa a entrar nesse universo quando a solução dessa necessidade pode ser fabricada em uma certa escala e começa a se profissionalizar.

Portanto, antes de qualquer produto ou serviço, existe sempre uma atitude que gerou ações e reações em cadeia e alguém foi ajudado. Seguindo esse raciocínio, concluímos que: para que haja uma atitude desse tipo é preciso haver uma ideia.

Bingo! Chegamos no coração da questão. São as ideias que movem o mundo. São nossas ideias que nos movem!

Automotivação é a compra de uma ideia melhor vinda de você mesmo!

Se lembra daquele momento que você se pegou sendo uma pessoa desmotivada e, de repente, seus pensamentos fizeram tudo mudar? Você se vendeu, não foi? Vendemos para nós mesmos a ideia de que conseguiremos e aquilo muda tudo!

Acontece que muitas vezes não conseguimos esse resultados com pessoas que gostamos. Queremos ajudar, queremos motivar alguém, uma equipe ou um familiar ao nosso redor e as pessoas simplesmente não respondem aos nossos estímulos. Já parou pra pensar que você pode não estar vendendo tão bem suas ideias?

Há uma crença generalizada e inconsciente de que venda é ocupação de quem sabe mentir, crença essa que a cultura brasileira geralmente insiste em levar para frente. Isso realmente não tem ajudado o país crescer muito. Normalmente bons vendedores são pessoas bem sucedidas e infelizmente o sucesso é visto com maus olhos por várias pessoas no Brasil.

Costumo quebrar essas crenças dos meus coachees os fazendo perceber que, quando se tem essa postura inconsciente, se tem conflitos à medida que os próprios resultados começam a aparecer. É uma espécie de auto-sabotagem.

A venda como mecanismo de fortuna

Quem trabalha ou já trabalhou em grandes empresas conhecem muito bem o que vou falar a seguir. Se você não consegue vender internamente uma ideia ou conceito de um projeto para alguém que tenha o poder de alterar essa realidade empresarial, nada feito. Muitas vezes o dono da ideia morre na praia e com a razão.

Quando se entende que vendas ideológicas bem feitas, geram riqueza, geram empregos, geram crescimento ao país, você começa a perceber a oportunidade coletiva que está por trás de uma venda bem feita. Todos ganham!

Então, por que não estou vendendo bem?

Vender é uma arte. Bons vendedores entendem muito bem que o conteúdo dos discursos têm muito menos importância do que a forma com que esses discursos são proferidos. A postura corporal, entonação, noção de tempo e silêncios, por exemplo, correspondem a aproximadamente 65% da mensagem transmitida em uma conversa frente a frente.

Quem diz isso é o antropólogo, Ray Birdwhistel, um dos pioneiros no estudo da comunicação.

 No vídeo abaixo, Julian Treasure dá dicas para futuros palestrantes em como utilizar sua voz para falar melhor e falar de maneira que as pessoas queiram ouvir.

Julian Treasure: Como falar de forma que as pessoas queiram ouvir

Você conhece uma pessoa que é muito boa tecnicamente, mas que não entende isso que o Julian diz e, pela falta de jeito com as pessoas ao seu redor, não são reconhecidas em suas ideias? Há pessoas que tentam empurrar conceitos goela abaixo do seu interlocutor. Perda de tempo!

Tenho certeza que não é o seu caso, mas sempre vale lapidar nosso conhecimento para entender um pouco mais sobre como funcionam as pistas não-verbais de pessoas que não passam confiança como os mentirosos. O nervosismo de falar ao público e vender pode ainda fazer com que o comportamento de que fala pareça muito com a de alguém que não fala a verdade. Isso pode ser fatal.

Portanto, falar com clareza, com postura adequada e segurança é um caminho sem volta para a construção de algo ao seu redor que permitirá crescer ajudando muitas pessoas as quais você estima. Vale cair de cabeça nessa ótima perspectiva de enxergar a vida.

Vem comigo que no caminho eu te explico!