Suas crenças te definem

Diversas crenças que te movimentam inconscientemente pela vida

Durante muito tempo você recebeu um bombardeio de crenças que te ajudaram e te atrapalharam sem que você soubesse disso. Você foi formado em um ambiente com uma cultura tal, teve pessoas com diversas crenças diferentes compartilhando seus pensamentos, conquistas e derrotas. Dividiu tarefas, regras e inevitavelmente escutou algumas recomendações. Por exemplo, alguns exemplos de quem te criou:

– Cuidado com a friagem, não vá tomar vento nas costas!
– Não tome banho depois de comer senão terá uma indigestão.
– Pra que você está comendo tanto abacaxi? Vai ficar cheio de afta!

Sem contar com a recomendação campeã nas casas brasileiras:
– Pare de andar descalço, senão você vai gripar!

A expressão do Ragnar, que nasceu e viiveu no frio, pensando nisso! haha…
(Se não pegou a referência, convido a assistir um episódio de Vikings. Tem no Netflix! 😉

Quando temos um motivo para agir, nós fazemos coisas que nem imaginávamos que daríamos conta?

Sempre há aquela história de alguém que levantou algo pesadíssimo que caiu em cima do filho ou coisa parecida. Só não peça para a pessoa repetir o feito simplesmente por repetir porque provavelmente não irá conseguir.

Eu mesmo quando tinha uns 9 anos de idade fiquei preso em um portão eletrônico por pura molecagem e a Dona Vânia, minha querida mãe, abriu o pesado de metal na mão! (Muitos agradecimentos aqui, né? Valeu Dona Vânia! Por essas e por outras! Rs…)

Dessa forma podemos, mesmo que ainda sem uma explicação completa e científica, constatar empiricamente que vamos mais longe quando acreditamos. Se acreditamos que uma barata é horripilante vamos pra muito longe mesmo nessa hora! Fora os machões pensando nesse momento: eu não! Jamais!

Balela “neuro-psico-quântica-espiritual”.

Mesmo que a mente pregue suas peças e muitas vezes nos limitam a fazer coisas que poderíamos realizar se ela não nos brecasse, acredito ser de utilidade pública, antes de argumentar que você pode realizar muitas coisas, que o bom senso e a ponderação deveriam base ao tentar responder a pergunta “aquilo que você deseja é ou não possível de se realizar?”.

Há muito picareta ganhando rios de dinheiro, associando muita hipnose (que são sugestões a esse mesmo cérebro que nos prega peças) com sessões catárticas cheias de emoção e ignorância, que faz muita gente acreditar em coisas impossíveis. Infelizmente, muitas empresas estão fabricando verdadeiros homens e mulheres-bomba por aí a fora.

A ciência é uma ferramenta que o ser humano possui para validar possibilidades e, às vezes por ignorância científica, muitas pessoas são motivadas, mas vão ao fracasso. Esses irresponsáveis ainda sempre põem a culpa 100% na pessoa, como se ela não fosse co-responsável. Lamentável.

Mesmo podendo ignorar quem se vale de uma teoria científica densa e de dificílima compreensão como a física quântica, por exemplo, e tenta fundir isso tudo fazendo sincretismo científico-religioso, podemos perceber que muitas coisas que parecem estar longe de nosso escopo de realização são possíveis.

Postei um vídeo muito bom sobre a neuro-bobagem no Wiki Incansaavelmente®. Se te interessar, dê um pulinho lá.

Mente e corpo

Mesmo que a ciência não explique tudo, ela pode nos dar boas pistas de onde queremos chegar. Para exemplificar, seguindo essa lógica, é fato que cientistas já constataram que existem conexões entre o cérebro e o sistema imunológico¹.

Com isso, podemos perceber ainda mais porque um quadro clínico de depressão, por exemplo, nos deixa mais vulneráveis para desencadear outras doenças, da mesma maneira que sonhos positivos podem desencadear realizações e sucessos.

Até a descoberta dessas conexões do cérebro com os vasos linfáticos, acreditava-se que o o único órgão importante sem vasos linfáticos era exatamente o cérebro. Dessa maneira, o cérebro sempre foi tratado separadamente do sistema imunológico.

Nos livros de anatomia, as imagens geralmente mostram a formação de nódulos e vasos linfáticos como uma rede complexa em todo o corpo e, até então, essa rede não contemplava o cérebro.

Independentemente do problema filosófico sobre a mente e o corpo instaurado pelo filósofo René Descartes desde o séc XVI e amplamente trabalho por filósofos como John Searle, Thomas Nagel e outros, podemos alinhar um pressuposto útil aqui para o que desejamos fazer, sem precisar ser minuciosos e rigorosos nos critérios de verdade nesse nível filosófico.

Então, levando em consideração essa descoberta científica que acabei de citar, além de sua própria percepção e reflexão sobre seu próprio corpo, te pergunto: você acha que dá pra separar o cérebro do resto do corpo em termos práticos?

Mente e corpo formam um só sistema

10° pressuposto da Programação Neurolinguística

O limite das crenças

Mas qual é o limite dessas crenças? Existe um paradoxo chamado de Paradoxo de Sorites, também conhecido como paradoxo do monte que pergunta:

“Em que momento um monte de areia deixa de sê-lo quando se vai removendo grãos?”

Essa pergunta é paradoxal não é à toa. É praticamente impossível responder essa questão, pois faltam critérios objetivos para respondê-la. É muito nítido, em outro exemplo, saber se uma pessoa é careca ou se é cabeluda. Mas o momento exato que se passa de um para o outro é nebuloso.

A vida não é feita simplesmente de preto e branco, mas uma escala de tons em diversas intensidades que se misturam. Podemos fazer uma analogia e entender que definir o momento exato que uma crença se torna apenas um devaneio ou, por outro lado, algo possível, passa por uma linha tênue que cabe a cada um dizer sobre a sua crença.

O máximo que posso fazer são algumas perguntas provocativas e reflexivas (negligenciadas por muitos picaretas) para te ajudar a chegar a essa resposta. Se precisar de ajuda você pode agendar um bate-papo, mas a responsabilidade dos seu sonhos é sua e, adianto: dá trabalho.

Mas se você não liga para o trabalho que dá perseguir os próprios sonhos e já deu o passo de entender que você é o único que responsável pela suas realizações no planeta Terra, vamos continuar entendendo sobre as crenças.

O que fazem as crenças?

No sentido em que conversamos, as crenças podem ser definidas como um conjunto de ideias que nos fazem ter “fé” em algo que seu resultado ainda não pode ser validado empiricamente.

Crenças podem nos limitar ou nos possibilitar na realização daquilo que desejamos. Acredito, então, que já ficou claro que não estou sugerindo que se eu acreditar que eu posso desenvolver asas só com a força do pensamento, isso irá acontecer.

Não acredito que essa seja uma crença limitante minha, pois me faço várias perguntas provocativas, mas, pense comigo: o que seria de um de nossos maiores inventores, Alberto Santos Dumont, se não fosse sua crença de que ele um dia iria voar como os pássaros?

Muito provavelmente as asas que ele acreditou que um dia poderia criar, não foram as asas desenvolvidas a partir de seu próprio corpo com a força de seu pensamento.

Um pouco da vida do nosso inventor foi tão bem narrada por Miguel Nicolelis no Sempre Um Papo (um evento itinerante de divulgação de livros e autores), onde contou a história da criação de uma utopia científico-social no ex-império dos Tapuia, contada no livro Made In Macaíba.

As crenças de Dumont inspiraram o cientista Nicolelis, e caso essas crenças não fossem possibilitadoras, nem Dumont voava, nem Nicolelis teria construído um dos maiores centros de pesquisas em neurociências com referência internacional no meio do (quase literalmente) nada.

Suas crenças te limitam ou possibilitam?

Então, qual você acha que será o futuro de alguém que acredita piamente ser incapaz de realizar algo? Que acredita que se não for amado, será infeliz? Ou que acredita que a pior coisa possível seria ser abandonado por alguém?

Essas e outras crenças limitantes fazem parte da vida de milhões de pessoas e o que é mais triste disso tudo é que, na maioria das vezes, essas crenças se encontram totalmente no nível inconsciente de quem as têm.

A pessoa muitas vezes não faz a mínima ideia que seu comportamento é totalmente influenciado por essas crenças.

Nosso comportamento é quem nos define e quase sempre é inconsciente. Isso é normal, afinal é uma maneira do corpo de economizar energia. Já imaginou se você tivesse que pensar em cada passo para andar? E andar teclando no celular então? Hoje você já faz isso com maestria?! Cuidado ao atravessar a rua, viu?

Depois que aprendemos algo parece fácil. Assim como dirigir ou andar de bicicleta, às vezes esquecemos o tamanho do esforço que tivemos que fazer para aprender aquilo. Depois fica fácil mesmo, fazemos inconscientemente. É por isso que todo dia ao tomarmos banho abrimos o chuveiro com a mesma mão, começamos e terminamos pelas mesmas partes do corpo e escovamos os dentes da mesma maneira.

É tudo sem pensar!

Por falar em escovar os dentes, isso é tão incrível, que se você mora com mais pessoas (se não mora mais, vai lembrar quando dividiu o lar com mais pessoas), você sabe quem está escovando os dentes sem precisar dar uma olhada no banheiro para tirar a prova, isso apenas pelos sons. Assim como acontece quando alguém chega em casa, você já sabe quem é o dono daquela pisada.

Se você está pensando com seus botões “Nossa! É mesmo… Nem havia reparado!” acredito que valha a pena se perguntar se você também tem um padrão que foi formado na sua personalidade que te faça se relacionar sempre da mesma forma com as pessoas ou que te faça ter o mesmo padrão de expectativas ao começar uma nova empreitada.

Nossos padrões de comportamento estão fundamentados em nossas crenças e, portanto, são elas que definem quem somos.

Vem comigo que no caminho eu te explico!

-Rogério Braga


¹ Scientists Have Discovered Never-Before-Seen Vessels in The Brain