Família: o pilar mais importante da sociedade

Família é onde nossa história começa

Não importa se você gosta, se não gosta, se critica e/ou se ama sua família, o que importa é o que você fará por ela a partir de agora. Hoje irei falar de uma visão, talvez particular, de algo que considero de uma importância ímpar na construção da sociedade.

Compreendo que nem todos enxerguem da mesma maneira e se afastam de suas famílias. Isso acontece com algumas pessoas até mesmo apenas no campo emocional, sem que haja nenhuma culpa ou remorso, mesmo que ainda presentes nas festas de fim de ano.

No momento em que eu escrevo esse texto é aniversário do meu pai. Já fiquei 3 anos sem falar com o velho. Foi tenso! Entendo que aquele momento foi importante pra nós dois, mas hoje entendo que o acontecido foi um desdobramento de um despreparo inconsciente que se desenvolveu antes mesmo de eu nascer.

Me refiro à cultura familiar. Na ocasião, foram duas mentalidades diferentes que cultivaram por anos certa linguística, que ajudava o desenvolvimento do raciocínio lógico, mas que empobrecia todo o desenvolvimento emocional em sua maneira de expressar.

Deixemos as culpas de lado, mas não podemos ignorar as responsabilidades. O desgaste emocional familiar foi tanto, que em um determinado momento somente o afastamento para dar conta de tanto orgulho! Você sabe por que essa cena se repete por várias casas brasileiras?

briga de familia

Já comentei aqui no blog sobre os níveis neurológicos e também fizemos um show de viagem no post sobre o ambiente, o primeiro deles. Nesse artigo percebemos em uma prática gostosa como o ambiente exerce influência em nossas percepções e, claro, não foi diferente comigo e com meu pai.

Não irei entrar nos detalhes do que gerou esse afastamento, nem mesmo contextualizar meu ambiente familiar na época, mas assim como ocorre em várias famílias, o aprendizado que tiramos daquele evento poderia ter um custo muito menor se algumas atitudes fossem tomadas.

O custo de uma crise

Os brasileiros já passaram por várias crises econômicas. Crises não são necessariamente ruins, são momentos necessários para o crescimento, mas ainda sim, toda crise tem seu custo e, como não existe almoço grátis, alguém paga a conta!

No campo emocional não seria diferente. Você acha que passar por momentos de stress, de angústia ou de tristeza não são custosos? Infelizmente às vezes pegamos a saída mais fácil. Podemos nos convencer que os amigos, a família que tivemos a chance de escolher, são as pessoas de confiança de nossa vida e são eles os únicos que importam. Adeus àquela primeira família!

Fazendo um paralelo com as crises econômicas, é como se mudar de país resolvesse o problema. Para que eu vou ficar me preocupando com aquela tia velha fofoqueira, ou com aquele primo que só me liga quando precisa de algo?

Muitas famílias se envolvem inclusive em brigas judiciais ferrenhas! Tenho um amigo que processou o próprio pai. Sem juízo de mérito nesse momento! Cada um possui suas particularidades e quem somos nós para julgar. O importante aqui e chamo a atenção é começar reverter as situações difíceis é há uma intenção positiva por trás de toda atitude.

A maioria das pessoas têm questionamentos sobre algum membro da família e se apegam em valores para justificar sua ausência e seu orgulho. Reforçam seu mi-mi-mi com seus comuns de sangue ou consideração. Frases como o “Eu falo e eles não me ouvem, então que se [email protected]#$%!” é algo que podem vir fácil à tona.

Na ânsia de resolver alguns problemas familiares, mais conflitos e desalinhamentos surgem no ambiente, orgulhos transparecem, agressões verbais ou até mesmo físicas ocorrem. Mas nada como a angústia das agressões veladas e a distância, que vão se tornando os mandantes passo-a-passo no cotidiano das famílias que se desestruturam emocionalmente.

destruíção da família

Um novo rival da família

O que percebo escutando e observando vários amigos e amigas por todos esses anos, além de minha própria experiência familiar é que a individualidade é cada vez mais reforçada pelos novos hábitosGadgets e redes sociais, que prendem cada um em seu fantástico mundo de fulano acabam dando a oportunidade da destruição do alicerce primordial na formação exatamente do primeiro nível neurológico – o ambiente, lembra?

Os valores que poderiam ser amplamente reforçados, como confiança, diálogo, amizade, vão sendo substituídos pelo culto à imagem, egocentrismo e individualismo. Parecer bem sucedido e feliz começa a se tornar mais importante do que realmente ser feliz. O número de curtidas no Facebook ou Instagram começa a se tornar o termômetro do bem estar. Essas e tantas outras anomalias surgem e evidenciam algumas patologias que começam a ter status de normalidade.

– Alô?! Do que é feito um país social senão de famílias?

Que fique claro que não sou ingênuo o bastante para dar um “tchau de miss universo” nesse momento e dizer a todos aqui que tudo que eu espero é a paz mundial e lançar meus beijos de prosperidade com um lindo sorriso para a câmera da TV. Longe disso!

Entendo que conflitos existem e sempre irão existir exatamente por causa das diferenças e dos interesses particulares, mas pense comigo, onde foi que você começou a aprender a solucionar os conflitos de interesses na sua vida? Qual foi o primeiro lugar de conflitos da sua vida?

Comportamentos no ambiente familiar

Talvez você tenha aprendido a negociar, talvez a simplesmente se calar ou talvez a soltar um tapa ou soco no rosto alheio ao menor sinal de conflito. De onde que você acha que vieram todos esses e outros comportamentos instalados?

A rotina começa dentro da barriga da mãe! A família é o lugar inicial da construção da identidade pessoal de qualquer indivíduo e o principal agente de socialização da criança. A família tradicional vem dando lugar a diversos tipos de família diferentes – embora alguns tipos de estrutura possam ser objetos de críticas severas, que não vêm ao caso agora. De qualquer forma, é legal quem tenha uma família tradicional pra chamar de sua, mas há pessoas que não tiveram essa oportunidade.

Então, podemos validar a ideia de que família não é formada apenas por pessoas de mesmo sangue. Também validar a ideia do ditado popular que diz que pai é quem cria! Família é uma entidade de organização de valores e são esse valores desenvolvidos e cultivados que dão origens a atitudes saudáveis e sensatas (ou não), atitudes essas que são as únicas que podem realmente fazer do Brasil um país do futuro.

Voltando ao meu caso em particular, não tenho intenção de culpar meu pai de forma alguma, ainda assim existe uma hierarquia natural que coloca o peso da mudança de atitude em quem veio primeiro, tem mais experiência, certo? Experiência de inclusive saber o quão é importante aprender com os mais novos sem abrir mão da autoridade.

“O jovem tem todos defeitos de um adulto e mais um: o da inexperiência.”
(Nelson Rodrigues)

O controverso Nelson Rodrigues em sua maneira peculiar de ver a vida tinha mais do que razão nesse ponto. Se quisermos fazer a diferença podemos começar por entender isso. Quais são os valores dos representantes que nosso país tem hoje? De onde eles vieram? Todos são obrigados a compartilhar os mesmos valores? Quais deveriam ser os valores comuns a nosso país?

Independentemente da estrutura familiar a qual você tenha nascido, fica aqui a pergunta: qual é a estrutura familiar que você gostaria que nascesse seu filho? Seu sobrinho? Irmão… primo…

Será que você deseja os mesmos valores que nossos representantes políticos, por mais de 500 anos, cultivam em suas casas? Olhe para dentro e reflita nessas questões quando for o momento oportuno.

Assim como a história do cara plantando uma jabuticabeira, enquanto outro o gozava, dizendo que ele não iria provar daquelas jabuticabas que ele estava plantando, afinal ela demoraria muito a dar frutos, você pode começar AGORA a fazer a diferença no seu país! DENTRO DE CASA!

Na ocasião, a resposta daquele camarada plantando a árvore foi: – Meu amigo! Se todo mundo pensasse como você não haveria mais jabuticabas no mundo!

Vem comigo que no caminho eu te explico.

-Rogério Braga

Leitura Complementar: EMM Pratta, MA Santos – Psicologia em Estudo, Maringá, v. 12, n. 2, p. 247-256, maio/ago. 2007