A mentalidade de quem vira o jogo?

O rapaz sempre quis surfar. Um dia decidiu dar um bico na mesa!

Um dia, um sujeito simples, mas de muita energia, decidiu largar um concurso público para buscar um sonho de adolescente. Em toda sua juventude escutou que os melhores empregos eram os conquistados por meio de concursos públicos, pois davam a estabilidade a quem quer que fosse. Só que depois de se desestabilizar emocionalmente por completo por causa da mentalidade e cultura do serviço público brasileiro, ele decidiu dar um bico na mesa. Esse cara sou eu.

Onde se batem carimbos

Acumulei 2 anos de funcionalismo público pela Prefeitura de Belo Horizonte e quase 4 anos pela Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG). Nesse pouco mais de meia década, vivenciei algo que realmente eu não gostaria de ter vivenciado: a falta de compromisso com a mudança e o desenvolvimento ético dos servidores das repartições públicas do país.

Acredito que haja setores mais compromissados do que outros, mas no geral, é uma terra onde a manutenção do cargo importa muito mais do que servir ao público. Lamentável.

É muito comum que um serviço nesse meio não precise ser eficiente, não precise ser rápido, mas precise atender algum interesse pessoal e, geralmente, político.

Bata seu carimbo para que as coisas corram bem. Se você almeja uma mudança do status quo ou uma mudança de mentalidade, você está no lugar errado, meu amigo. As brincadeiras ilustram:

– Novato, você já tem carimbo?
– Não.
– Então fique tranquilo, mas você não é ninguém aqui ainda!

Sério! Eu escutei isso! Lamentável mais uma vez.

Nada que não precise ser rápido deve ser rápido! Tudo pode (e deve) ser bem devagar a menos que o big boss da seção diga que deva ser para ontem. Se você tentar mudar a mentalidade de um lugar desses você é visto com maus olhos. Se você quiser acelerar o processo, vai levar um balde de água fria.

O olhar das crianças

O lado positivo é que, se não podemos mudar (a princípio) uma cultura dessas, podemos mudar pelo menos a nós mesmos. Esse é o ponto chave. Podemos partir, inclusive, do olhar curioso e explorador das crianças que todos nós fomos um dia.

Já reparou como as crianças possuem uma mentalidade diferente? Elas estão sempre buscando entender, desenvolver e aprender algo novo. Há pessoas que mantém esse olhar curioso ao longo da vida, mas infelizmente esse olhar não faz parte da cultura do tipo de ambiente que são as repartições públicas.

Uma mudança do tipo que decidi fazer (continue lendo que vou contar o que fiz) não pode ser feita de qualquer maneira, mas traz esse elemento explorador e ousado das crianças e que talvez seja interessante para você resgatar esse olhar que um dia já foi muito forte em você.

Nesse primeiro texto do meu blog, desejo falar um pouco sobre essa mentalidade que todos nós possuímos e que pode ser muito útil também a você, caso deseje realizar uma mudança drástica em sua vida.

Só não fique desapontado por não trazer fórmulas mágicas, receitas prontas ou qualquer outra neuro-bobagem mal trabalhada da Programação Neurolinguística com o único objetivo de te vender mais um curso de autoajuda clássico nesse site. Não mesmo! Caso um dia esse site te venda algo que seja mais do mesmo, você terá todo seu dinheiro de volta. Eu garanto!

Meu objetivo é passar perspectivas que inspiram e, principalmente, as bases fundamentais do pensamento racional, para que sirva de ponte para o entendimento emocional e possam ajudar a quem quer que seja a pensar por si – espero que seja você.

Então, saiba que você pode desenvolver suas próprias estratégias utilizando essa característica atenta e detalhista das crianças. Afinal, motivação por si só não é suficiente e, sem alguns cuidados e estratégia, ela pode te levar ao fracasso. Percebo que esse é um dos bons motivos dos quais muitas pessoas amargam derrotas.

O contra exemplo

Na outra ponta oposta dessa visão e bem diferente desse espírito explorador, há um espírito crítico exagerado que pode esconder algumas detalhes.

Para exemplificar o que quero dizer, observe que sempre que o pessoal começa a trocar as fotos do perfil do Facebook (quando se aproxima o 12 de outubro) por uma foto de quando a pessoa ainda era apenas um catarrento uma criança, aparece aquele ranzinza criticando a troca.

O ato inocente da tradição do dia das crianças pode mesmo levar algumas pessoas aos nervos. Postagens como essa falando do Luciano Huck chegam a ser engraçadas, porém não tanto quanto vários comentários que ele recebeu no seu Instagram. Na internet comentários odiosos estão por todos os lados.

Talvez dê pra ignorar tamanha frustração com o sucesso alheio! A maioria das pessoas que fazem isso parecem se sentir confiantes por estarem protegidas pela distância. O fato é que as pessoas muitas vezes os fazem inconscientemente por quererem colocar algo para fora que não têm coragem de fazer sem o arcabouço da proteção virtual.

Moderação como canal

Ser crítico não é necessariamente ruim, mas é interessante quando entendemos o poder de nos darmos a chance de explorar e errar se for preciso. Envolver-nos com algo profundamente e, assim, termos a possibilidade de nos [des]envolver.

Portanto, para resgatar o espírito que você conhece, pode ser interessante parar um momento para refletir sobre próprios comportamentos antes de fazer algo. Esse deveria ser o primeiro passo. O foco, que até então está em criticar o outro, e nunca a si mesmo, deveria dar a lugar à pergunta: como devo me comportar para chegar onde quero chegar?

A crítica é algo que só aparece com a maturidade, porém, quando ela toma conta por completo da pessoa, esquecendo-se da inocência da criança, parece que a coisa se perde um pouco em medida.

Então entre o extremo de quem é impulsivo demais e aquela pessoa que se fecha em seu casulo, pois as suas próprias críticas promovem o medo necessário para estagná-la, perceba que há um mesmo elemento que faz com que o ego esteja no centro da questão.

Criticar outro é sempre mais fácil. O difícil é criticar a si mesmo e ainda assim, conseguir deixar passar um certo impulso que irá gerar valor para alguém e para você mesmo – ignorando, inclusive, que esse impulso irá com toda a certeza receber críticas, ainda que veladas.

A minha mudança de mentalidade!

Ao para por um momento para refletir sobre a minha realidade naquela ocasião, cheguei na solução que serviria somente pra mim. Sou mineiro e, como a maioria dos mineiros que não possuem uma praia para chamar de sua, eu constantemente trabalhava por um ano para ir à praia nas férias.

Sempre quis morar na praia e, diante dessa constatação, tive a consciência que eu me perdoaria por todas as falhas que eu pudesse cometer na busca por largar tudo e construir algo que eu desejasse morando na praia, mas nunca me perdoaria caso eu chegasse no final da minha vida, com todo o dinheiro acumulado no funcionalismo público engolindo aquilo que estava me fazendo mal, olhando para o espelho e dizendo para mim mesmo: – você não tentou!

Então decidi me mudar. Mas aventuras devem ser planejadas, riscos devem ser controlados. Então, planejei por um ano, como, onde e todas as estratégias que eu iria tomar para fazer isso se tornar real. Além de juntar os recursos financeiros necessários para me sustentar até que o plano se consolidasse.

Graças a vocês, leitores e alunos dos meus cursos, deu certo! Meu muitíssimo obrigado!

Portanto, mantendo o espírito explorador e utilizando com maturidade a capacidade crítica que acumulamos ao longo da vida, é possível realizar coisas que para alguns pareceria loucura, além de ser independente do medo que possa (e vai!) se fazer presente.

Sem adotar essa postura, a maioria das pessoas simplesmente faz como na história do Pernil da Srta. Rosa, repetindo as coisas sem ter a consciência do que estão fazendo e se mantêm em um ciclo interminável da corrida dos ratos¹.  Então a primeira dica que eu deixo aqui é: reflita se vale à pena as decisões que tomamos durante as empolgações criadas por campanhas de marketing de alguns vendedores na internet.

Vem comigo que no caminho eu te explico!

-Rogério Braga


¹ Referência ao livro ‘Pai rico, pai pobre’ de Robert Kiyosaki e Sharon Lechter, onde o ciclo que não é próspero é chamado de corrida dos ratos, pois remete aquele brinquedo na gaiola onde eles correm e não saem do lugar.